O cultivo do cacaueiro no Brasil

O cacaueiro é originário da Região Amazônica, dos vales dos Rios Amazonas e Orenoco, expandindo-se, a partir daí, ao longo do Rio Amazonas e, pelo Norte, foi além dos Andes até a América Central e o México.

A partir do Brasil, foi levado para a África em 1.822, pelo coronel português Ferreira Gomes. Na África, o cacau foi desenvolvido em grande escala, tornando o continente africano o maior produtor mundial. A Costa do Marfim produz, nos dias de hoje, mais de um milhão de toneladas, anualmente.

A cacaucultura é uma atividade agrícola existente há séculos, antes mesmo do descobrimento da América. Os índios que habitavam a região, Astecas e Maias, já exerciam o cultivo do cacaueiro e preparavam com suas amêndoas uma bebida que deram o nome de tchocolat porque acreditavam ter divindade, por ser altamente energética.

Tendo como base essa lendária concepção, Lineu classificou a espécie dentro do gênero Theobroma que significa alimento dos deuses.

Em seu retorno à Espanha, quando do descobrimento do continente americano, Colombo levou algumas amêndoas para a Europa, apenas como curiosidade. Fernando Cortês, percebendo o valor comercial da bebida, levou-a para a Espanha em 1.550. Na Espanha, adicionaram açúcar à bebida que ficou mais saborosa e rapidamente ganhou popularidade de consumo.

Com a invenção da prensa hidráulica por Van Houten, na Holanda, tornou-se possível a separação da manteiga, sendo mais tarde aperfeiçoada e é, ainda hoje, a base da indústria de chocolates, aumentando - substancialmente - o consumo do produto. Com a separação da manteiga do pó do cacau, tornou-se possível armazenar esses produtos em grandes quantidades. Por sua vez, a manteiga tem propriedades que permitem manter-se sólida, em temperatura ambiente, viabilizando dessa forma a produção dos tabletes de chocolate.

O cultivo do cacau no Espírito Santo

Em 1.880, o agricultor Joaquim Francisco Calmon, em uma de suas propriedades às margens do rio, hoje chamado Rio Pequeno, no município de Linhares, fez a primeira tentativa de implantar o cultivo do cacau no Espírito Santo, trouxe sementes da Bahia e contratou um capataz baiano chamado Domingos, conhecedor desse plantio. As enchentes daquele ano destruiram tudo. Uma nova tentativa foi feita em outras de suas propriedades, Taquaral e Cipó obtendo sucesso motivando outros fazendeiros investir no produto, com destaque para Antonio Balança e João Felipe Calmon.

Em 1.916, o governador Coronel Nestor Gomes, entusiasta defensor do cacau ser produzido no ES., sancionou a Lei 1.402, de incentivo ao cultivo cacaueiro, doando glebas de terras de 25 a 30 ha., com uma pequena casa construída, 5 ha. já desmatados e 500 sementes de cacau, patrocinando ainda uma visita desses agricultores ao Sul da Bahia para melhor entenderem seu manejo.

Produção em grande escala e seus pioneiros

Em 1.917, a empresa exportadora Cruz Sobrinho e Cia. fez grande divulgação nos jornais da Bahia despertando interesse em dois grandes produtores baianos, Dr. Filogônio de Souza Peixoto e o coronel Antonio Negreiros Pêgo, que foram ao município de Linhares e adquiriram umas terras para o plantio de cacau.

Em 1.918, Filogônio Peixoto contratou Manoel Bastos Guerra, profundo conhecedor da cultura na Bahia, considerado o mestre da cacauicultura, que foi trabalhar na Fazenda Maria Bonita, veio também para a mesma fazenda o belga naturalizado americano, Sabino Moncorve, e ambos ensinavam aos outros produtores. Linhares passou a produzir 90% do cacau em terras capixabas.

Nos dias de hoje, os produtores de cacau no ES estão passando grandes dificuldades financeiras, após a chegada pelas plagas capixabas da terrível doença Vassoura-de-Bruxa (Crinipellis perniciosa), fungo que ataca o cacaueiro de qualquer idade nos tecidos meristemáticos, ou seja, tecidos em crescimento, tais como brotos vegetativos, almofadas florais, flores e frutos, e que há uns 15/20 anos passados havia feito uma devassa na produção baiana, (os baianos, atualmente, estão em franca recuperação). As condições climáticas desfavoráveis são outros fatores que contribuiram para cair a produção capixaba para menos da metade da realizada nos tempos áureos. Se tudo isso já era devastador, o produtor amarga ainda o baixíssimo preço de comercialização do produto, agravado pelo substancial aumento dos custos com a manutenção da lavoura. O resultado final é uma produção de menos de 30% daquilo que já se produziu. O preço do chocolate sobe, anualmente, no mínimo 20%, mas só na ponta final onde uma multinacional detém 90% do mercado, sob o beneplácito do CADE, órgão controlador federal.

Durante longos anos, a cacauicultura capixaba contribuiu substancialmente para o crescimento da economia do ES e, principalmente, para a preservação do meio ambiente e geração de empregos, em especial no município de Linhares.

Para enfrentar o problema, inúmeros estudos de combate à Vassoura-de-Bruxa vêm sendo desenvolvidos e testados pelos pesquisadores de órgãos governamentais como a CEPLAC e, atualmente, uma pequena luz de esperança está surgindo no fim do túnel.